Pyrrhura é um gênero de aves da Ordem Psittaciformes da Família Psittacidae, compostas por 17 espécies de tiriba ou tiriva. São exclusivas da América do Sul, onde habitam zonas florestais. Na cidade, vive apenas em áreas verdes grandes e com Mata Atlântica, mesmo que alterada.
São psitacídeos de médio porte, cerca de 22 a 30 cm de comprimento. Possuem asas pontiagudas e a cauda é muito longa e fina. A pele em torno dos olhos é branca e desprovida de penas. A plumagem é muito colorida e predominantemente verde. Na maioria das espécies, o peito tem um aspecto escamado, dado pelas penas debruadas numa cor contrastante.
São aves muito sociáveis, que vivem em bandos ruidosos com até dez aves que quase nunca saem da mata.
São barulhentas ao voar mas silenciosas quando pousam, sendo difícil localizar as aves enquanto elas se alimentam na copa das árvores. Às vezes, só se percebe sua presença pelos detritos que deixam cair enquanto se alimentam. Quando se assustam, o bando levanta vôo numa gritaria intensa.
Fazem ninhos em ocos de árvores, onde põe de cinco a oito ovos, que a fêmea incuba sozinha. O macho participa, porém, na alimentação dos filhotes.
Come sementes, retirando-as de frutos que depois descarta, mas no caso de certos frutos, como o do palmito, come a polpa e descarta a semente; consome também néctar de flores (por exemplo, de eucalipto).
A tiriba-de-hellmayr mede 23 cm de comprimento. A espécie foi recentemente separada da tiriba-de-testa-azul. Vive em florestas, em bandos ou casais isolados. Ocorre do baixo Amazonas ao norte de Goiás.
A tiriba-grande mede 30 cm de comprimento, é a maior espécie do gênero Pyrrhura. Pode ser sintópico com a tiriba-de-testa-vermelha, da qual se distingue pelo tom mais claro das auriculares e pelo píleo marrom escuro. Endemismo ameaçado, é encontrado da Mata Atlântica montana às florestas úmidas das baixadas litorâneas, em matas de tabuleiro e na hiléia baiana entre 0 e 400 m de altitude e, mais raramente, alcança os 920m no interior de Minas Gerais. Endêmica do Brasil, ocorre no sul da Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro.
A tiriba-fogo mede de 25 a 28 cm. Fronte com linha vermelha fina, coroa e pescoço marrom, colar cinzento, ombros vermelhos. Em vôo é notório a axila vermelha com linha amarela no final, parte vermelha no ventre, rabo vermelho opaco. Já foi considerada subespécie de P. frontalis.
Vive em florestas, nas bordas claras e pântanosas, até os 1000 m. Espécie tolerante com a interferência do hábitat. Voa em bandos de 6 a 12 indivíduos. Presente no Sudeste do Brasil, norte do Uruguai, norte da Argentina, Paraguai e sudeste da Bolivia.
A tiriba-de-testa-vermelha mede cerca de 27 cm de comprimento. São verdes, inclusive as bochechas, com a zona auricular pardacenta. Fronte, abdômen e face inferior da cauda de cor vermelho. Região perioftálmica branca assim como a cara. Não possui diferenças externas aparentes entre machos e fêmeas. Deslocam-se geralmente em bandos de 10 a 40 indivíduos. Ocorre da Bahia ao Rio Grande do Sul, além da Mata Atlântica de Goiás e do sul do Mato Grosso do Sul, Uruguai, Paraguai e Argentina.
A tiriba-de-peito-cinza mede 23 cm de comprimento. Pode ser sintópico com a tiriba-de-testa-vermelha do qual se distingue pelo branco das auriculares. A espécie foi recentemente separada da tiriba-de-orelha-branca. É encontrada nas florestas úmidas das baixadas litorâneas e matas de tabuleiro nordestinas. Endêmica do Brasil, ocorre no Ceará, Pernambuco e Alagoas.
A tiriba-pérola mede 24 cm de comprimento. A espécie foi separada recentemente da tiriba-de-barriga-vermelha. Habita as florestas úmidas e as matas de transição do leste da Amazônia. Inclui a subespécie Pyrrhura lepida anerythra, encontrada nos interflúvios dos baixos Rios Xingu e Tocantins.
Endêmica do Brasil, ocorre no Pará e Maranhão.
A tiriba-de-orelha-branca mede 21 cm de comprimento. Pode ser sintópica com a tiriba-grande ou a tiriba-de-testa-vermelha, das quais se distingue pelo branco das auriculares. É restrita às fragmentadas florestas úmidas das baixadas litorâneas, matas de tabuleiros e da hiléia baiana até os 300m de altitude. Ocorre do sul da Bahia à São Paulo e também em área ao norte da Venezuela.
A tiriba-de-deville mede de 21 a 23 cm. No geral verde com a fronte e áreas ao redor dos olhos vermelho-escuro, auriculares esbranquiçados. Em vôo é notória a mancha vermelha-escura do abdômem. Por baixo das asas acizentado. O azul na fronte e o vermelho nos ombros são muito reduzidos, o azul pode estar até mesmo ausente. Até há pouco tempo esta espécie estava incluída junto com Pyrrhura subandina, P. caeruliceps, P. pantchenkoi dentro da espécie P. picta (tiriba-de-testa-azul). Habita principalmente floresta úmida e semi-úmida baixa, até cerca de 100 m.
Ocorre da Amazônia colombiana (pelo menos ao sul do rio Caquetá) até o sul do Peru, incluindo o oeste da Amazônia brasileira.
A tiriba-fura-mata é distinguível principalmente pelo rabo e asas enegrecidas (visível em voo). Vive em grande variedade de habitats que incluem floresta úmida, semi-úmida, floresta andina, sub-andina até 2800 m. Vive em bandos de 6 a 12 indivíduos. Sua distribuição é descontínua. Sudoeste e Amazônia da Colômbia, noroeste do Equador até o nordeste do Peru e norte do Brasil.
A tiriba-de-cara-suja mede cerca de 25 cm. Com capuz marrom, colar cinza largo, extremos das asas por cima azul e por baixo verde-amarelado, rabo e parte do ventre vermelho-opaco. A subespécie P. m. australis presente no sudeste da Bolívia, é mais pálida, a parte vermelho-opaco do ventre mais extensa e com menos azul na asa. Habita florestas ao leste do Andes, até 2900 m., florestas primárias e secundárias, incluindo áreas abertas, savanas, florestas de galeria em pântanos, e florestas decíduas proximo a 500 m. Vive geralmente em bandos de 10 a 20 indivíduos, às vezes mais. Ocorre no Centro-oeste do Brasil e noroeste da Argentina até o leste da Bolívia e provavelmente sul do Peru.
A tiriba-de-barriga-vermelha mede cerca de 25 cm. Principalmente verde nas costas e ombros, asas com extremidades azuis, axilas vermelhas brillantes igual ao abdomem (mais visíveis em vôo), vermelho opaco no rabo e manchas azuis na fronte e baixo abdomem. Os jovens possuem o abdomem com pequenas manchas vermelhas, e o azul das asas reduzido. Anteriormente conhecida como P. rhodogaster. Vive geralmente em florestas úmidas de terra seca, clareiras, florestas secundárias e provavelmente formações secas. Vive em pequenos bandos, embora tenham sido informados grupos familiares grandes. Presente no centro e sudoeste amazônico no Brasil até o nordeste da Bolivia.
A tiriba-de-pfrimer é uma das menores espécies do gênero Pyrrhura, mede 22 cm de comprimento. Possui coroa azulada até a nuca, face castanha e arroxeada, dorso verde e vermelho-arroxeado, pescoço estriado de penas verde e branco, bico negro e cauda vermelho-azulado nas pontas, as primárias das asas são azuis com pontas azul-cobalto. Em todas as situações de observação da espécie é necessário estar atento pela incidência solar sobre as cores das penas que variam de acordo com a luminosidade do sol. Similar à tiriba-de-orelha-branca, da qual foi recentemente separada.
Ocupa uma pequena área na qual grande parte de seu território foi e continua a ser devastado. Os trabalhos em curso sugerem uma população estimada em menos de 50.000 indivíduos restantes, o que representa uma queda de até 75% a partir de estimativas de 1998. É restrita a matas decíduas ou semi-floresta seca decídua que cresce sobre afloramentos de calcário ou em solos derivados até 700m de altitude. Este tipo de mata normalmente tem um dossel fechado (onde vive a espécie) e sub-bosque denso com cipós e alguns cactos, particularmente em áreas perturbadas. É ameaçada pelo desmatamento da mata seca para extração seletiva de madeiras, como a aroeira (para ser utilizada na confecção de mourões de cerca), incêndios e conversão de habitats em pastagem. Em Goiás a área de mata seca diminuiu de 15,8% da cobertura vegetal na região em 1990 para apenas 5,8% em 1999, e menos de 1% dos fragmentos remanescentes foram maiores que 100 hectares. O rápido desmatamento está ocorrendo destinado à criação de pastagens e a queima generalizada para melhorar a área do pasto.
O desmatamento permanece como a maior ameaça à espécie, ainda que seja capturada - em pequena escala - para o comércio ilegal de animais de estimação. Restam apenas 40% das florestas originais da região e o que restou continua sendo destruído ou explorado para permitir a expansão agropecuária e, especialmente, para a extração de aroeira. As florestas em áreas planas e as matas de galeria são as mais impactadas, com as melhores matas restando nas áreas escarpadas e rochosas. Pyrrhura pfrimeri e outras espécies de psitacídeos costumam se alimentar em plantações e acabam sendo perseguidas como pragas na região. O fogo criminoso é outra ameaça identificada no local. O Parque Estadual de Terra Ronca, principal refúgio da espécie, conta apenas com cerca de 20% de sua área regularizada e há presença de gado dentro de seus limites, nas áreas ainda não indenizadas. A exploração de soja incentiva o desmatamento e os agrotóxicos oriundos das lavouras do topo da serra contaminam cursos d'água, escarpas e porções mais abaixo.
É uma ave endêmica restrita à estreita faixa de mata seca, perto da Serra Geral, nos estados de Goiás e Tocantins. Em Goiás ocorre até Cristalina.
A tiriba-de-testa-azul mede cerca de 23 cm de comprimento, fronte azul, nódoa auricular amarela e mancha negra no peito. Comum na copa de florestas de galeria e florestas úmidas de terra firme, tanto nas bordas como no interior. Vive em bandos grandes e barulhentos, nos quais os indivíduos voam muito próximos. Presente na Amazônia brasileira e também no Panamá, Guianas, Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia.
A tiriba-de-cabeça-vermelha mede 22 cm de comprimento. Caracteriza-se pela grande extensão de vermelho na cabeça. Foi recentemente separada da tiriba-de-testa-azul. Ocorre no sudoeste da Amazônia, na bacia do Rio Juruá.
A tiriba-rupestre mede cerca de 25 cm. Distinguível por seu capuz negro, contrastanto com o verde-oliva das bochechas, escamado no peito, e parte vermelha no ventre. Asas com parte vermelha e pontas escuras. Jovens com parte pequena vermelha nas asas.
Habita a floresta amazônica úmida, inclusive formações de várzea e terra seca abaixo de 300 m. Há registro de visitas ao leste dos Andes. Voa em bandos de 30 indivíduos, ou grupos pequenos no perído reprodutivo.
Presente no Ocidente da Amazônia. Sudeste do Peru, norte de Bolívia e norte adjacente do Brasil.
A tiriba-do-madeira mede 22 centímetros. É encontrada no rio Madeira.